Forbes Under 30 em 2024, o arquiteto, designer, palestrante, professor universitário e colunista Jeferson Branco é uma das vozes mais expressivas da nova geração do design brasileiro. À frente da direção criativa do estúdio que leva seu nome, Jeferson Branco Arquitetura, sediado em Itajaí (SC), com atuação em todo o Brasil e presença internacional, ele constrói uma trajetória marcada pela autoralidade, pela valorização da matéria-prima nacional e por uma leitura sofisticada das transformações socioculturais do nosso tempo.
Sua formação combina técnica e sensibilidade. Graduado em Arquitetura e Urbanismo, Jeferson cursou parte da faculdade na California Baptist University, na Califórnia (EUA), e estagiou no estúdio D-Scheme Studio, em San Francisco, experiências que expandiram sua visão de mundo e consolidaram sua abordagem global, sem abrir mão de uma identidade profundamente latina e brasileira.
O reconhecimento nacional veio ainda durante a graduação, com o primeiro lugar geral no 22º Concurso Estudos Deca, em São Paulo, e o primeiro lugar na categoria Estação de Metrô, premiações que o levaram a estrear na CASACOR Santa Catarina 2018 com o projeto Habitat Deca, ainda como estudante. O espaço, que propunha um banheiro sem gênero como manifesto pela inclusão e pela adaptação da arquitetura às mudanças sociais, antecipava a natureza questionadora e sensível que marcaria toda sua produção, influenciando inclusive diretrizes posteriores do concurso, que passaram a incluir a obrigatoriedade de propostas de inclusão de gênero.
Desde então, Jeferson participou de diversas edições da mostra, incluindo o loft meu.coração.queima e o bar t3chno.DELTA, sempre articulando estética, tecnologia e discurso social. Sua obra se destaca por unir pensamento conceitual e execução rigorosa, refletindo uma prática que entende o projeto como narrativa e contação de histórias: um diálogo entre matéria, memória e comportamento.
Nos últimos anos, o estúdio expandiu sua atuação para diferentes escalas, de edifícios residenciais em altura e interiores a mobiliário, luminárias e objetos de design. Suas coleções, como as luminárias Kûara, os tapetes Protozoa, as mesas de apoio Irupé e Runa, e o banco Mercúrio, exploram as fronteiras entre arte e design com um olhar poético e experimental. Trabalhando com rochas brasileiras reaproveitadas, alumínio fundido, madeira de reflorestamento e pet retirado dos oceanos, o arquiteto constrói uma linguagem que funde ancestralidade e futurismo, natureza e tecnologia, brasilidade e sofisticação.
Em 2025, Jeferson integrou o elenco nacional de 20 profissionais convidados a assinar a Casa Dexco, mostra que ocupou o Conjunto Nacional, em São Paulo, sob curadoria de Allex Colontonio e André Rodrigues (Decornautas). Sua interpretação do tema Neomodernismo reforçou a maturidade de sua pesquisa estética, com volumes esculturais, equilíbrio cromático e uma materialidade que evoca o passado reinterpretado pelo olhar contemporâneo.
Consolidando sua relevância no cenário nacional, encerrou o ano de 2025 como vencedor do concurso para o pavilhão de Santa Catarina na Bienal de Arquitetura Brasileira, reafirmando seu compromisso com a valorização da arquitetura regional em diálogo com o contemporâneo.
Além das mostras, suas peças de design vêm ganhando destaque em importantes veículos e feiras nacionais e internacionais, como a coleção Kûara na Maison&Objet, durante a semana de design de Paris, a coleção Luiz Antonio na semana de design de Milão, e publicações como Forbes Life Design, Casa Vogue, Casa e Jardim, Elle Decor e Bazaar Interiores Brasil. A mesa de parede Irupé, por exemplo, foi publicada na Forbes Life Design de novembro de 2024, enquanto o tapete Protozoa integrou a seleção 10+ da Casa e Jardim.
Sua pesquisa parte de um olhar sociológico e filosófico sobre o comportamento humano e sobre como essa relação se transforma em produto, campo que ele aprofunda em sua pós-graduação em Mercado e Comportamento no Século XXI, orientada por Luiz Felipe Pondé na FAAP, e também em sua atuação como professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em cursos de pós-graduação sobre inteligência artificial aplicada à arquitetura. Essa investigação desemboca em peças e projetos que refletem o espírito do tempo. Ao analisar as mudanças nas relações entre pessoas, objetos e espaços, Jeferson propõe uma arquitetura emocionalmente inteligente, que traduz o modo contemporâneo de habitar, trabalhar e sentir.
Entre seus temas recorrentes estão a tensão entre natureza e tecnologia, o maximalismo tropical e o retrofuturismo latino, que o arquiteto entende como expressões legítimas de uma geração que busca autenticidade e representatividade nos espaços que ocupa. A exuberância tropical, reinterpretada com rigor geométrico e precisão construtiva, aparece como assinatura em seus projetos.
O trabalho de Jeferson Branco é movido por histórias que nascem da observação atenta do mundo e da crença de que arquitetura e design são ferramentas de narrativa, identidade e transformação cultural através de formas, cores e texturas.